"O que confia no Senhor, esse é feliz ". Provérbios 16.20

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A unanimidade é burra

Na política – como em tudo na vida- a unanimidade é burra, porque tira a oportunidade de você mostrar que é o certo ou o melhor ao seu oponente e aos que o seguem. A unanimidade faz o receptor deixar de ser um observador e avaliador das imagens, impressões e propostas que se lhes apresentam, o faz um reprodutor inconsciente da teoria fascista. Na sociedade liberal a unanimidade é burra porque faz você pensar como todo mundo pensa, sem lhe dar o direito de errar quando os outros acertam ou de acertar quando os outros erram. Nega-lhe o direito de ser diferente, até mesmo único em alguma coisa - pelo menos no seu pensamento. A unanimidade tira a oportunidade do pelego, do adulador de destinar loas à outra pessoa que satisfaz ou satisfará a sua realização pessoal ou que compõe o time que o realizará. A unanimidade cega – e portanto interesseira e inconsequente, é tão deletéria, para alguns, que só em contestá-la já faz o contestador sentir-se útil ao mundo. Se a unanimidade sobre algum objeto já é temerário, imagine sobre o conjunto que o sustenta. A unanimidade é burra até mesmo por causa da dualidade que afirma o ser: a noite e o dia, o alto e o baixo, o bem e o mal, a vida e a morte, a ideologia e o realismo pragmático... Já pensou se tudo no mundo fosse branco? Que tristeza seria. O partidário intransigente da unanimidade é louco, leviano, ou doentemente pragmático ao ponto de sacrificar tudo pelo seu interesse pessoal e imediato.

Autor: Alberto Magalhães

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Um pouco sobre a política de sergipe



1975/1978 - Governo José Rollemberg Leite
Em 1977 João Alves Filho, jovem engenheiro formado em Salvador, foi nomeado prefeito de Aracaju (1977/1979) no governo de José Rollemberg Leite (o homem das letras). João Alves se notabilizou por promover a infraestrutura de Aracaju, na área do saneamento básico, e de abrir as primeiras avenidas importantes da capital sergipana - que até então tinha um formato provinciano, e criar o bairro Coroa do meio ao construir a ponte que atualmente liga o Bairro 13 de julho ao shopping Riomar. Naquela época João Alves Filho era o novo, uma revelação na sisuda política local. Ele havia sido membro da Juventude Universitária Católica (JUC) e redator do jornal da frente única das esquerdas, na BA, e um proeminente engenheiro civil da Construtora Alves Ltda., do seu pai, na sua volta à Aracaju.

José Rollemberg Leite, professor e engenheiro, ex-governador eleito (1947/1951), o mais admirável governador sergipano que eu tenho conhecimento, voltou a governar Sergipe no período de 1975 a 1978 (nomeado pelo regime de exceção) e foi quem mais contribuiu para a educação no estado, passando o governo para o também nomeado governador Augusto do Prado Franco.

1979/1982 - Governo Augusto Franco (Vice: Djenal Tavares de Queirós)
Augusto Franco formado em Medicina na Bahia (ex deputado Federal e ex senador), foi nomeado governador  empreendendo uma profícua administração com muitas obras, entre elas a adutora do São Francisco. Na sua saída do governo do estado (1982) Augusto Franco candidatou-se a deputado Federal, sendo o parlamentar mais votado na história de Sergipe, (depois de Jackson Barreto, que foi eleito vereador de Aracaju e levou mais sete correligionários para a Câmara). Augusto Franco aprovou o nome do ex-prefeito João Alves Filho para concorrer ao governo do estado e do seu filho Albano Franco (Deputado estadual e já presidente da CNI, de onde havia sido diretor) para o Senado da República. Esse grupo derrotaria o senador (1975/1982) Gilvan Rocha, do PMDB histórico, e que representava a ala progressista da política brasileira ao lado de Jackson Barreto, Wellington Mangueira, Jackson Sá Figueiredo, José Carlos Teixeira, Wellington Paixão, dentre outros ardorosos militantes da redemocratização do país.

1983/1986 - Governo João Alves Filho, PDS (Vice: Antônio Carlos Valadares, PDS)
João Alves Filho foi o primeiro governador eleito pelo voto popular na ditadura militar e realizou um governo voltado para o homem do campo com o programa Chapéu de Couro, onde a construção de açudes amenizava o problema da seca no sertão. Em 30 de maio de 1985, o então deputado federal, José Carlos Teixeira é nomeado pelo governador João Alves Prefeito de Aracaju, em substituição a Heráclito Rollemberg que fora nomeado para o TCE sergipano. Teixeira passaria o governo da capital para Jackson Barreto, militante da redemocratização do país pelo PMDB, primeiro Prefeito eleito depois da ditadura militar, em 1 de janeiro de 1986. Nesse mesmo ano Teixeira concorreu à sucessão de João, contra o seu candidato Valadares. João sairia do governo do Estado para ser o ministro do interior do governo José Sarney.


1987/1990 - Governo Valadares, PFL(Vice: Benedito Figueiredo, PMDB)
Antônio Carlos Valadares, formado em Química e Direito pela UFS, vice-governador de João Alves, ex Prefeito de Simão Dias, ex Deputado estadual, ex Secretário de Educação (de Augusto Franco), e ex Deputado Federal, (que era o homem de confiança dos Franco e por eles fora indicado para servir de elo ao Governo João Alves), por meio de uma bem costurada composição política, foi o candidato escolhido por João Alves para ser o seu sucessor no Palácio Olímpio Campos, cortando o cordão umbilical de ambos à escola política dos Franco no Estado. O candidato anteriormente previsto nesse grupo para suceder João Alves era Albano Franco. João e Valadares, com o apoio de Jackson Barreto PMDB, enfrentaram e derrotaram o ex deputado Federal e ex prefeito da capital nomeado, indicado por João Alves (1985/1986), José Carlos Teixeira. O vice de Valadares foi Benedito Figueiredo, indicado pelo recém-eleito Prefeito de Aracaju, Jackson Barreto. NESSE PERÍODO JOÃO ALVES FILHO FOI MINISTRO DO INTERIOR NO GOVERNO DE JOSÉ SARNEY.

1991/1994 – Governo João Alves Filho, PFL (Vice: José Carlos Teixeira, PMDB)
Apoiado por Valadares, João Alves Filho retorna ao comando do Governo do Estado, derrotando o candidato das oposições, José Eduardo Dutra. Na dobradinha Albano Franco é reeleito para o Senado (1991/1998. José Carlos Teixeira é escolhido vice-governador na chapa de João Alves.

1995/1998 – Governo Albano Franco, PSDB (Vice: José Carlos Machado, PFL)
João conseguiu eleger seu sucessor ao governo do estado, o senador Albano Franco, que venceu o ex-prefeito de Aracaju, Jackson Barreto. Assume na vaga de Albano o suplente José Alves do Nascimento, irmão de Maria do Carmo Alves. Pela oposição Marcelo Déda é eleito deputado federal e Valadares e Eduardo Dutra são eleitos para o Senado (1995/2002).

1999/2002 – Governo Albano Franco, PSDB (Vice: Benedito Figueiredo, PMDB)
Albano Franco derrota João Alves Filho para o governo do estado, Maria do Carmo Alves é eleita para o senado da república. Marcelo Déda é reeleito deputado federal.

2001/2004 – Governo municipal de Aracaju – Marcelo Déda, PT (Vice: Edvaldo Nogueira, PC do B)
O ex-deputado estadual e federal Marcelo Déda, militante da redemocratização do país pelo PT,vence as eleições para a prefeitura da capital com larga vantagem de votos, no primeiro turno.

2003/2006 – Governo João Alves Filho, PFL (Vice: Marília Mandarino, PSC)
João Alves Filho derrota o médico Francisco Rollemberg, candidato de Albano Franco ao governo do estado e o senador José Eduardo Dutra, candidato das oposições, e elege Almeida Lima para o Senado na vaga de Eduardo Dutra. Valadares é reeleito senador da República (2003/2010), pela oposição.

2005/2008 – Governo municipal de Aracaju – Marcelo Déda, PT (Vice: Edvaldo Nogueira, PC do B)
Marcelo Déda reelege-se no primeiro turno, com larga vantagem de votos, afastando-se em 2006 para disputar e vencer a eleição para o governo do estado, contra o então governador João Alves.

2007/2010 – Governo Marcelo Déda (Vice: Belivaldo Chagas, PSB)
João Alves, no primeiro turno, perde o governo do estado para o ex-prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, mas consegue reeleger a sua esposa Maria do Carmo para a única vaga, nesta eleição, no Senado da República. Marcelo Déda é eleito em virtude da proposta de uma nova forma de administrar o estado e gerir os recursos públicos.

2011/2014 – Governo Marcelo Déda (Vice: Jackson Barreto, PMDB)
No primeiro turno o governador Marcelo Déda vence o ex-governador João Alves Filho. O deputado federal Eduardo Amorim, PSC, é eleito para o Senado da República com maior quantidade de votos que o próprio candidato a governador da sua coligação. O estado - e o país, entra em crise financeira e o governador em grave crise de saúde. João Alves Filho é eleito prefeito da capital para o quadriênio 2013/2016.

Autor: Alberto Magalhães

PS. Aceita-se observações a este texto. Atualizado em 08 de julho de 2013.